A epidemia de Ébola na República Democrática do Congo já vitimou quase duzentas crianças
O futuro de milhares de jovens na República Democrática do Congo encontra-se severamente ameaçado. Desde meados de maio, a província de Ituri lida com um surto de Ébola que já infetou 476 menores e ca...

O futuro de milhares de jovens na República Democrática do Congo encontra-se severamente ameaçado. Desde meados de maio, a província de Ituri lida com um surto de Ébola que já infetou 476 menores e causou pelo menos 189 mortes infantis.
Estes números dramáticos representam um quinto do total de óbitos registados na atual epidemia.
O peso do trauma psicológico
As crianças sobreviventes enfrentam agora feridas invisíveis. A organização Save the Children presta atualmente apoio psicossocial a mais de quatro mil jovens na região.
O medo do contágio alterou radicalmente os comportamentos normais da infância. Muitos menores evitam o contacto físico com os colegas e com os próprios adultos.
A organização alerta também para a urgência de acolher crianças separadas dos pais. O isolamento, a doença e o luto desestruturaram dezenas de famílias.
Uma segunda crise após a guerra
A emergência sanitária agrava uma realidade já marcada pelo conflito entre o exército e os grupos armados locais. Para Babou Rukengeza, coordenador da organização no terreno, os jovens carregam um enorme fardo emocional.
A criação de espaços seguros permite atenuar o impacto da violência e das deslocações forçadas. Sem intervenção adequada, o stresse prolongado compromete definitivamente o desenvolvimento cognitivo e emocional destas crianças.
A ameaça de uma estirpe sem cura
As autoridades congolesas contabilizam até ao momento 2423 casos confirmados e 967 mortes na população em geral. A atual taxa de letalidade ronda os 40%.
O surto resulta da estirpe Bundibugyo. A Organização Mundial da Saúde relembra que não existe qualquer vacina autorizada ou tratamento específico para esta variante.
Esta crise de saúde pública figura já como a terceira pior epidemia de Ébola da história mundial. O risco de propagação no continente africano permanece bastante elevado.





























