Roupa em segunda mão conquista Portugal e impulsiona nova rede de triagem
O estigma de vestir peças usadas desapareceu por completo. Comprar roupa em segunda mão tornou-se uma escolha óbvia para a carteira e para o ambiente. Os consumidores procuram alternativas sustentávei...

O estigma de vestir peças usadas desapareceu por completo. Comprar roupa em segunda mão tornou-se uma escolha óbvia para a carteira e para o ambiente. Os consumidores procuram alternativas sustentáveis e as lojas do setor somam novos clientes diariamente.
O fim do preconceito nas compras
Mónica Monteiro gere uma loja da Humana na baixa do Porto e nota uma mudança clara de comportamento. A procura inicial, motivada sobretudo por dificuldades económicas, deu lugar a um público diversificado e focado na sustentabilidade.
Nas prateleiras destas lojas encontram-se artigos de grandes marcas a preços muito baixos. A cliente Helena Gouveia sublinha a importância de travar o desperdício e defende que o preconceito contra artigos usados perdeu o sentido. Aquilo que deixa de servir a uma pessoa ganha nova utilidade no armário de outra.
Projeto pioneiro de recolha têxtil
Para acompanhar esta tendência circular, a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) lançou a iniciativa "Gestão Têxtil Circular". O projeto piloto dura um ano e conta com financiamento do Fundo Ambiental.
A rede disponibiliza 10 contentores instalados em lojas nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Os cidadãos podem entregar sacos fechados com vestuário, calçado, roupa de cama, cortinas e acessórios de tecido.
Destino dos materiais recolhidos
A recolha começou em abril e prolonga-se até ao final de julho. Os portugueses já entregaram mais de oito toneladas de materiais, aproximando-se da meta inicial de 15 toneladas prevista pela organização.
Cristina Câmara, diretora de sustentabilidade da APED, confirma que o volume atual assegura os testes práticos do processo. O material segue para centros de triagem na Península Ibérica. As peças em bom estado alimentam o mercado de segunda mão, enquanto os restos avançam para reciclagem. A meta passa por desenhar o sistema nacional definitivo de gestão de resíduos têxteis.




























