O Nepal condenou à prisão dois antigos governantes por fraude com falsos refugiados
Um esquema criminoso que prometia vistos de asilo no estrangeiro levou à condenação de 16 pessoas no Nepal. Figuras de topo do Estado aproveitaram o desespero de centenas de cidadãos para enriquecer d...

Um esquema criminoso que prometia vistos de asilo no estrangeiro levou à condenação de 16 pessoas no Nepal. Figuras de topo do Estado aproveitaram o desespero de centenas de cidadãos para enriquecer de forma ilícita.
O peso da justiça
O tribunal distrital de Katmandu ditou as sentenças. Top Bahadur Rayamajhi, antigo vice-primeiro-ministro, vai cumprir quatro anos de cadeia. A justiça considerou provados os crimes de fraude, associação criminosa e delitos contra o Estado.
Bal Krishna Khand, ex-ministro do Interior, enfrenta uma pena de dois anos por cumplicidade. O juiz aplicou ainda aos dois antigos governantes multas equivalentes a 228 e 114 euros.
A origem da burla
A fraude surgiu após o fim de um programa internacional de reinstalação. Entre 2007 e 2018, milhares de verdadeiros refugiados viajaram legalmente para os Estados Unidos, Austrália e países europeus.
Com o fecho da iniciativa, a rede criminosa viu uma oportunidade de negócio. Os líderes convenceram centenas de nepaleses a pagar quantias avultadas. A promessa consistia em falsificar documentos e fazê-los passar por exilados. As vítimas perderam as poupanças e nunca chegaram a emigrar.
O verdadeiro drama humanitário
Os burlões usaram a crise histórica dos anos 90 como base para o golpe. Nessa altura, mais de 100 mil pessoas de origem nepalesa fugiram do Butão.
Estes cidadãos, conhecidos como Lhotsampas, perderam os direitos civis em 1985 devido à política governamental 'Uma nação, um povo'. O reino budista impôs o traje nacional e proibiu a língua nepalesa. Muitos acabaram a viver em campos de refugiados no Nepal, uma tragédia autêntica transformada num esquema criminoso.


























