Onda migratória em Ceuta leva Itália a ameaçar Espanha com suspensão de Schengen
A crise migratória no enclave espanhol de Ceuta desencadeou um grave conflito diplomático no sul da Europa. O Governo italiano ameaça suspender o Acordo de Schengen com Espanha, uma resposta direta à ...

A crise migratória no enclave espanhol de Ceuta desencadeou um grave conflito diplomático no sul da Europa. O Governo italiano ameaça suspender o Acordo de Schengen com Espanha, uma resposta direta à chegada de centenas de migrantes que atravessaram a fronteira a nado a partir de Marrocos.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, garantiu que o seu país não ficará inativo perante as imagens da fronteira espanhola. O executivo de Roma admite avançar com medidas excecionais para travar a livre circulação.
A tensão subiu de tom quando o ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, acusou Madrid de incentivar o tráfico humano. Em causa está a recente regularização de meio milhão de imigrantes indocumentados em Espanha. Como retaliação política, Madrid classificou a postura italiana de "demagogia" e chamou o embaixador de Itália para prestar esclarecimentos.
Caos na fronteira e reforço militar
Ceuta enfrenta o colapso dos seus centros de acolhimento. As autoridades locais pediram a declaração de "emergência nacional" e o fecho urgente da fronteira. O Governo central espanhol recusou a medida de exceção, mas decidiu intervir de imediato no terreno.
Para travar as travessias ilegais, Madrid ordenou o envio de militares e reforçou a Guarda Civil com dezenas de operacionais adicionais. Equipas de mergulhadores e embarcações da guarda costeira vigiam agora a costa norte-africana em permanência. O ministro da Administração Interna, Fernando Grande-Marlaska, viaja esta sexta-feira para avaliar a crise no local.
Tensão extrema no lado marroquino
O cenário em Marrocos reflete uma pressão humana sem precedentes. Na localidade de Castillejos, uma multidão com mais de cinco quilómetros de extensão tenta forçar a passagem para território europeu.
As forças de segurança marroquinas estão sobrecarregadas. A polícia recorreu a gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar milhares de jovens mobilizados para a travessia. Até ao momento, Rabat não divulgou o balanço oficial de detenções, resgates ou possíveis afogamentos no mar.
Acordo de repatriamento e ajuda europeia
Apesar do caos fronteiriço, Espanha e Marrocos mantêm a cooperação bilateral. Os dois países culpam as redes de tráfico humano pelo escalar da situação e já fecharam um acordo para repatriar os migrantes irregulares com a máxima urgência.
A Comissão Europeia também entrou em ação. O comissário para o Interior e Migração, Magnus Brunner, contactou o Governo espanhol para oferecer o apoio logístico de Bruxelas. A diplomacia europeia pressiona agora as autoridades marroquinas para travar novas vagas migratórias rumo à Europa.



























