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Niamey acorda com explosões e tiroteios intensos junto a base militar no Níger

A madrugada em Niamey, capital do Níger, foi marcada pelo caos após várias explosões e rajadas de tiros ecoarem por diferentes bairros. O principal foco de tensão registou-se nas imediações da Base Aé...

Niamey acorda com explosões e tiroteios intensos junto a base militar no Níger
Panoramas — Imagem Ilustrativa

A madrugada em Niamey, capital do Níger, foi marcada pelo caos após várias explosões e rajadas de tiros ecoarem por diferentes bairros. O principal foco de tensão registou-se nas imediações da Base Aérea 101, uma instalação militar adjacente ao aeroporto internacional.

Moradores locais relataram confrontos intensos. Na zona oeste da cidade, no bairro de Koira Kano, testemunhas ouviram disparos de armas ligeiras por volta das 05:00. Apesar do pânico inicial, a emissora pública continuou as suas emissões regulares e o distrito administrativo, onde fica o palácio presidencial, mantém uma aparente normalidade. As autoridades ainda não emitiram qualquer comunicado oficial sobre a origem dos disparos.

A importância estratégica da Base 101

A instalação militar agora sob fogo é um ponto central de operações no Níger. A Base Aérea 101 acolhe o quartel-general do Afrika Korps, grupo militar russo presente no país. O espaço serve também como comando da força unificada da Aliança dos Estados do Sahel, que junta o Níger, o Burkina Faso e o Mali.

Além da vertente militar, o local tem um enorme peso económico. Entre dezembro e janeiro, a base armazenou um grande carregamento de concentrado de urânio destinado a exportação.

Histórico de ataques terroristas

Este incidente junta-se a um histórico recente de violência na região. O aeroporto de Niamey já sofreu duas grandes ofensivas este ano. Em janeiro, o Estado Islâmico tentou destruir as capacidades aéreas do exército nigerino. No final de junho, o JNIM, um braço da Al-Qaeda, lançou um ataque que matou 11 soldados e dois civis.

Na altura, o general Abdourahamane Tiani, líder do regime militar, assumiu a existência de falhas graves de segurança no perímetro das instalações.

Repressão e crise política

A instabilidade de segurança agrava o clima de tensão política. O Níger vive sob o controlo de uma junta militar desde 26 de julho de 2023. O golpe de Estado derrubou o presidente eleito, Mohamed Bazoum, que continua detido com a sua esposa, Hadiza.

A Human Rights Watch alertou recentemente para a deterioração dos direitos humanos no país. O regime militar desmantelou as instituições democráticas, instalou o autoritarismo e intensificou a repressão contra os cidadãos, agravando uma crise humanitária já bastante severa.

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