Dívida de França mantém nota da Fitch perante juros em máximos históricos
A dívida pública de França continua a merecer a confiança da Fitch. A agência de notação financeira norte-americana confirmou o rating de nível 'A+' com perspetiva estável. Esta decisão surge num mome...

A dívida pública de França continua a merecer a confiança da Fitch. A agência de notação financeira norte-americana confirmou o rating de nível 'A+' com perspetiva estável. Esta decisão surge num momento em que as taxas de juro tocam valores máximos dos últimos 15 anos.
Défice e estagnação económica preocupam
Apesar da manutenção da nota, a Fitch emitiu vários avisos sobre a saúde financeira do país. O défice público reduziu menos do que o antecipado. A agência prevê uma trajetória de agravamento, estimando um défice de 5,2% este ano e de 5,5% em 2027. Apenas em 2028 deverá recuar ligeiramente para os 5,2%.
Este cenário reflete um abrandamento económico evidente. O Instituto Nacional de Estatística francês (Insee) reviu em baixa o desempenho recente. A economia contraiu 0,2% no primeiro trimestre e estagnou no segundo.
O peso dos juros e as novas despesas com a defesa justificam grande parte do desequilíbrio das contas públicas.
Fragmentação política trava reformas
A instabilidade política em Paris surge como o principal risco para as finanças públicas. A agência considera que a atual fragmentação parlamentar limita a capacidade do governo para aplicar cortes orçamentais duradouros.
As eleições presidenciais da próxima primavera agravam a incerteza. A Fitch antecipa que a dificuldade em aprovar medidas de austeridade persista mesmo após o escrutínio, limitando a previsibilidade das políticas estatais.
Como resultado, a dívida vai continuar a subir. O endividamento deverá passar dos atuais 117% do Produto Interno Bruto (PIB) para 122,7% até 2028.
Pressão nos mercados financeiros
Os investidores exigem cada vez mais dinheiro para financiar o Estado francês. A taxa de juro das obrigações a 10 anos superou a barreira dos 4%. Trata-se de um valor inédito desde o pico da crise financeira de 2008.
No fecho dos mercados de sexta-feira, os juros fixaram-se nos 4,124%. Este é o segundo valor mais elevado, ficando apenas atrás da Bulgária. Num espaço de três meses, a taxa exigida a França disparou 55,7 pontos base.
O ministro francês da Economia, Roland Lescure, garantiu que o governo mantém o foco na contenção do défice. O executivo promete equilibrar a estabilidade financeira com a competitividade, numa economia que a Fitch ainda considera grande, diversificada e próspera.





























