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ECONOMIA

Luanda enfrenta caos bancário e paralisação de negócios após ataque à Unitel

Luanda vive dias de caos financeiro. O ataque informático à Unitel, a maior operadora de telecomunicações de Angola, continua a bloquear pagamentos digitais e a asfixiar a economia local.

Luanda enfrenta caos bancário e paralisação de negócios após ataque à Unitel
Panoramas — Imagem Ilustrativa

Luanda vive dias de caos financeiro. O ataque informático à Unitel, a maior operadora de telecomunicações de Angola, continua a bloquear pagamentos digitais e a asfixiar a economia local.

Sem acesso à internet, os cidadãos procuram alternativas. As dependências bancárias registam enchentes diárias, com os luandenses a tentarem contornar o apagão das comunicações eletrónicas.

Negócios bloqueados e dívidas acumuladas

A falha generalizada da aplicação "multicaixa express" paralisou o comércio. Esta plataforma permite pagamentos e levantamentos sem cartão, mas agora encontra-se inoperacional para grande parte dos utilizadores.

Madalena Francisco, comerciante e estudante de 21 anos, aguardava há mais de uma hora num banco em Viana. A jovem relata que as suas vendas estão suspensas por impossibilidade de receber transferências.

A falta de rede também gera dívidas. Os clientes não conseguem pagar os produtos, o que compromete o rendimento diário dos pequenos empresários.

Corrida ao dinheiro vivo

O apagão digital força o regresso ao numerário. Centenas de pessoas esperam horas nas ruas para conseguir levantar dinheiro físico ou fazer transferências aos balcões.

Um pasteleiro e fotógrafo de 27 anos confirma a mudança drástica. O jovem, que depende da internet para trabalhar, afirma que o dinheiro em espécie é agora a única forma garantida de concretizar pagamentos.

Roberto Segunda, de 22 anos, lamenta a perda de conveniência. O jovem viu-se obrigado a acordar de madrugada para enfrentar as filas bancárias, abandonando a facilidade das compras online.

Matrículas suspensas e rotina afetada

Os constrangimentos afetam a vida académica e pessoal. A estudante Telma Fernandes não conseguiu pagar as suas matrículas devido às falhas no sistema.

O próprio cartão físico apresenta erros nas transações correntes. Resta aos cidadãos esperar longas horas nos bancos para realizar operações básicas ao balcão.

Dependência do sistema digital

A Unitel classifica o ataque da última terça-feira como deliberado e malicioso. A operadora garante estar a trabalhar para restaurar a totalidade dos serviços.

O caos atual expõe a forte dependência digital do país. A Empresa Interbancária de Serviços (EMIS) indica que o sistema multicaixa express domina as operações financeiras dos angolanos, concentrando mais de 62% das transações.

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