Flora intestinal pode prever risco de Parkinson antes dos sintomas
Um estudo publicado na revista Nature Medicine revela que a análise dos micróbios intestinais permite identificar pessoas com risco elevado de desenvolver Parkinson, mesmo antes do aparecimento de qua...

Análise à microbiota identifica predisposição para a doença
Um estudo publicado na revista Nature Medicine revela que a análise dos micróbios intestinais permite identificar pessoas com risco elevado de desenvolver Parkinson, mesmo antes do aparecimento de qualquer sintoma.
A investigação demonstra que tanto doentes com Parkinson como indivíduos saudáveis em risco apresentam uma composição distinta da microbiota intestinal. Esta descoberta pode facilitar a deteção precoce da doença através de um simples teste à flora intestinal.
Estudo abrange mais de mil participantes em cinco países
Os investigadores criaram um método inovador para estudar a microbiota intestinal, aplicado a 464 pessoas em Itália e no Reino Unido. O grupo incluía 271 doentes com Parkinson, dos quais 43 eram portadores da variante genética GBA1 que aumenta o risco da doença.
Os dados foram posteriormente comparados com informação de três grupos adicionais nos Estados Unidos, Coreia do Sul e Turquia, totalizando 638 pessoas com Parkinson e 319 participantes saudáveis.
Mais de um quarto dos micróbios intestinais apresentam diferenças
A equipa descobriu que 176 espécies diferentes de micróbios intestinais mostram alterações de abundância quando se comparam doentes e indivíduos saudáveis. Alguns micróbios são mais frequentes em pessoas com a doença, enquanto outros predominam em participantes sem Parkinson.
As alterações na microbiota intestinal são 15 vezes mais acentuadas nos estágios avançados da doença comparativamente aos estágios iniciais.
Predisposição genética reflete-se na flora intestinal
Pessoas com predisposição genética mas sem sintomas também apresentaram alterações semelhantes, embora menos pronunciadas que nos doentes diagnosticados.
"A composição da microbiota intestinal em pessoas com risco genético para a doença de Parkinson, mas sem sintomas, assemelha-se a um padrão intermédio entre indivíduos saudáveis e os doentes com Parkinson", afirmou Anthony Schapira, um dos autores do estudo.
20% dos participantes em risco mostram sinais clínicos precoces
No grupo sem predisposição genética, 20% daqueles com alterações mais marcantes na flora intestinal apresentaram sinais clínicos próximos dos pacientes com Parkinson. Estes dados sugerem um risco superior de desenvolver a doença no futuro.
Os resultados mantiveram-se consistentes nos cinco países analisados, reforçando a validade do método.
Segundo os investigadores, esta descoberta abre caminho para identificar pessoas em risco através da análise intestinal e para estudar se modificações na população bacteriana podem reduzir a probabilidade de desenvolver Parkinson.





























