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POLITICA

Rússia desmantela memorial às vítimas do estalinismo em Tomsk

A Rússia desmantelou um memorial dedicado às vítimas da repressão estalinista na cidade de Tomsk. A operação decorreu este domingo e envolveu a remoção da Pedra da Dor e de todas as placas comemorativ...

Rússia desmantela memorial às vítimas do estalinismo em Tomsk
Panoramas — Imagem Ilustrativa

Monumento removido sem aviso prévio

A Rússia desmantelou um memorial dedicado às vítimas da repressão estalinista na cidade de Tomsk. A operação decorreu este domingo e envolveu a remoção da Pedra da Dor e de todas as placas comemorativas instaladas na Praça da Memória.

O canal de Telegram Govorit NeMoskva reportou a destruição do espaço público. Testemunhas confirmaram que as autoridades isolaram a área, retiraram os monumentos e começaram a desmontar bancos e outros elementos do parque.

Justificação oficial contestada

A câmara municipal de Tomsk alegou razões de segurança. Segundo o comunicado, um morador alertou para o risco de derrocada de uma garagem situada numa encosta próxima da praça. As autoridades garantiram que todos os monumentos foram transferidos para um local seguro e que o acesso permanecerá restrito até à conclusão de obras de reforço.

Anton Isakov, ativista local, rejeitou esta versão. Através do seu canal de Telegram, denunciou que a garagem se encontra a mais de 50 metros do memorial, tornando impossível qualquer perigo real. A autarquia apagou posteriormente o comunicado sem prestar esclarecimentos.

A polícia vedou a zona e proíbe fotografia no local.

História do memorial apagado

A Praça da Memória foi inaugurada em outubro de 1992, mas a primeira pedra tinha sido colocada em 14 de junho de 1989. O projeto nasceu de uma iniciativa conjunta entre a administração municipal e a Sociedade Memorial, financiado pela câmara e por doações de residentes.

A Sociedade Memorial foi ilegalizada em 2021. A Justiça russa ordenou a sua dissolução por alegada ocultação de informações sobre a classificação como "agente estrangeiro". Moscovo acusou a organização de justificar extremismo e terrorismo, além de difundir uma "imagem falsa da URSS como Estado terrorista".

Em 2022, a Sociedade Memorial recebeu o Prémio Nobel da Paz. Oleg Orlov, cofundador do grupo, foi condenado em 2024 a dois anos e meio de prisão, pena posteriormente alterada.

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