São Tomé e Príncipe despede-se da poetisa e jornalista Conceição Lima
São Tomé e Príncipe perdeu hoje um dos seus maiores vultos culturais. A jornalista e poetisa Conceição Lima morreu aos 64 anos, deixando um legado ímpar na literatura africana.

O adeus a uma referência literária
São Tomé e Príncipe perdeu hoje um dos seus maiores vultos culturais. A jornalista e poetisa Conceição Lima morreu aos 64 anos, deixando um legado ímpar na literatura africana.
A escritora sentiu-se mal logo ao início da manhã. A família transportou-a de urgência para o Hospital Central Dr. Ayres de Menezes, na capital são-tomense. A equipa médica declarou o óbito pouco depois, por volta das 07:00 locais.
Presidente destaca perda irreparável
O Presidente da República de São Tomé e Príncipe expressou profunda consternação perante a notícia. O chefe de Estado considerou a autora uma voz luminosa e uma figura incontornável da nação.
Em nota oficial, o líder são-tomense enalteceu o compromisso da poetisa com a memória e a identidade do povo. Sublinhou ainda o talento da escritora para elevar o nome do país através da sua sensibilidade artística.
Uma carreira sem fronteiras
Conceição Lima detém o título de escritora são-tomense mais traduzida do mundo. As suas obras superaram barreiras culturais e ganharam versões em dezenas de idiomas, desde o árabe ao turco, passando pelo inglês e alemão.
O Governo são-tomense reconheceu este impacto global no ano passado. A autora recebeu o título de embaixadora da Cultura de São Tomé e Príncipe, um justo tributo ao seu trabalho na promoção internacional da identidade do país.
Jornalismo e percurso académico
Nascida na vila de Santana a 8 de dezembro de 1961, construiu uma carreira notável na comunicação social. Estudou jornalismo em Portugal e assumiu cargos de direção na rádio, televisão e imprensa escrita local. Em 1993, fundou e dirigiu o semanário independente O País Hoje.
A sede de conhecimento levou-a a continuar os estudos no Reino Unido. Licenciou-se em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King's College e completou o mestrado na School of Oriental and African Studies, em Londres. Durante a sua estadia na capital britânica, trabalhou como jornalista e produtora nos serviços em língua portuguesa da BBC.
O seu percurso nas letras iniciou-se formalmente em 2004 com o livro O Útero da Casa. A sua última obra, intitulada Quando os cães deixaram de falar e outras fábulas universais, chegou às livrarias no decorrer de 2024.





























