Tributar as grandes fortunas trava o colapso do Estado-social avisa Nobel da Economia
A implementação da Inteligência Artificial no mercado de trabalho exige uma resposta robusta dos governos para proteger a classe média. Abhijit Banerjee, vencedor do Prémio Nobel da Economia de 2019, ...

A implementação da Inteligência Artificial no mercado de trabalho exige uma resposta robusta dos governos para proteger a classe média. Abhijit Banerjee, vencedor do Prémio Nobel da Economia de 2019, defende que a solução passa por aplicar novos impostos aos cidadãos mais ricos.
Esta receita fiscal extra permitirá financiar o Estado-social e conter a crescente raiva social gerada pela desigualdade económica e laboral.
O economista rejeita liminarmente os cortes nos apoios sociais. Pelo contrário, Banerjee sublinha a urgência de aumentar os fundos disponíveis. A sobrevivência política dos governos depende da eficácia e durabilidade da providência social num cenário de grande incerteza.
O fosso agravado pela pandemia
A crise sanitária de 2019 marcou um ponto de viragem negativo para os mais vulneráveis. Até à chegada da covid-19, os rendimentos reais das famílias pobres registavam um crescimento contínuo. Atualmente, o cenário inverteu-se por completo.
A subida drástica dos preços dos bens alimentares e as alterações no mercado laboral estagnaram os salários. O especialista nota que as mudanças recentes afetam de forma desproporcional as classes mais baixas, agravando um fosso que parecia estar a fechar-se.
Fuga aos impostos e excesso de burocracia
A fatura das crises sucessivas não está a ser dividida de forma justa. Banerjee critica a capacidade dos multimilionários para contornarem o sistema fiscal. Os super-ricos utilizam campanhas de desinformação e lacunas legais para ocultar rendimentos e evitar impostos.
Esta fuga constante seca os cofres públicos e obriga a cortes em serviços essenciais. O Prémio Nobel considera esta dinâmica totalmente insustentável e espera uma forte oposição da sociedade civil a estas práticas.
Em simultâneo, o acesso aos apoios estatais esbarra numa burocracia excessiva. O economista cita um estudo feito em Espanha, onde a complexidade administrativa impede muitas famílias carenciadas de receberem as ajudas. O foco estatal deve estar em simplificar o acesso aos subsídios existentes em vez de criar novas políticas.
O perigo da narrativa contra o Estado-social
As forças políticas de direita promovem frequentemente a ideia de que o Estado-social atingiu níveis de generosidade incomportáveis. Banerjee não compreende a aceitação desta narrativa, sobretudo numa altura em que a desigualdade atinge proporções alarmantes à escala global.
Países europeus com sistemas de providência consolidados possuem as ferramentas ideais para combater a pobreza. O sucesso exige apenas uma gestão rigorosa do orçamento e coragem política para taxar as grandes fortunas.
Galardoado pela Real Academia de Ciências da Suécia em 2019, ao lado de Esther Duflo e Michael Kremer, Abhijit Banerjee mantém a defesa de uma abordagem experimental. O objetivo final continua a ser a obtenção de respostas fiáveis para erradicar a pobreza à escala mundial.




























