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SOCIEDADE

Inquérito sobre assédio no CES de Coimbra arquivado por falta de queixas formais

O Ministério Público arquivou o inquérito sobre alegações de assédio no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. A decisão foi tomada após análise do relatório de uma comissão indep...

Inquérito sobre assédio no CES de Coimbra arquivado por falta de queixas formais
Panoramas — Imagem Ilustrativa

Ausência de queixas formais leva ao arquivamento

O Ministério Público arquivou o inquérito sobre alegações de assédio no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. A decisão foi tomada após análise do relatório de uma comissão independente e de uma carta enviada por um coletivo de mulheres.

A conclusão do MP baseia-se num facto central: nenhuma das alegadas vítimas apresentou queixa formal no prazo legal de seis meses. Sem queixa, o Ministério Público não tem legitimidade para avançar com ação penal em crimes contra a liberdade sexual.

O que revelou o relatório independente

A Comissão Independente divulgou o seu relatório em março de 2024. O documento confirmou padrões de abuso de poder e assédio por parte de pessoas em posições hierárquicas superiores.

Os números do relatório são significativos: 32 denunciantes apresentaram 78 denúncias contra 14 pessoas. Contudo, nenhum nome foi especificado publicamente.

Investigador celebra decisão e critica processo

Um dos visados pelo relatório afirmou que a decisão confirma que nunca houve denúncias formais nos tribunais. O investigador acusa as denunciantes de terem usado os media para o difamar, evitando propositadamente a via judicial.

O mesmo investigador considera que a decisão deveria ter sido conhecida há mais tempo. Segundo a sua versão, o CES e as denunciantes conheciam o arquivamento desde dezembro de 2024, mas houve uma tentativa de ocultar a informação ao público.

Coletivo confirma arquivamento parcial

Uma porta-voz do coletivo de denunciantes confirmou ter conhecimento do despacho. Esclareceu que o arquivamento se refere apenas aos crimes que dependem de queixa.

No entanto, factos que possam configurar crimes públicos continuam a ser investigados pelo Ministério Público.

Caso que abalou a academia portuguesa

Tudo começou quando três investigadoras denunciaram situações de assédio num capítulo do livro "Má conduta sexual na Academia - Para uma Ética de Cuidado na Universidade".

As revelações levaram à suspensão de dois investigadores de todos os cargos no CES em abril de 2023: Boaventura de Sousa Santos e Bruno Sena Martins.

Em setembro de 2024, Boaventura de Sousa Santos intentou ações cíveis contra 13 investigadoras e antigas estudantes do CES. Acabou por desistir e optou por um processo-crime por difamação, que também foi arquivado.

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