A poluição atmosférica na Europa rouba 146 mil vidas por ano
A criação de sistemas de alerta precoce pode evitar milhares de tragédias. A exposição de curta duração a picos de poluição atmosférica causa cerca de 146 500 mortes prematuras todos os anos na Europa...

A criação de sistemas de alerta precoce pode evitar milhares de tragédias. A exposição de curta duração a picos de poluição atmosférica causa cerca de 146 500 mortes prematuras todos os anos na Europa.
O Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e o Centro de Supercomputação de Barcelona (BSC) conduziram a investigação. O trabalho analisou o ar que 530 milhões de europeus respiram em 31 países.
Os picos repentinos de poluição provocam reações fisiológicas agudas. Inflamações sistémicas e o aumento da coagulação sanguínea elevam o risco imediato de morte.
O perigo fatal das partículas finas
As partículas finas assumem o papel mais destrutivo. Estas poeiras microscópicas ceifam cerca de 79 mil vidas anualmente.
O tamanho reduzido permite que entrem nos pulmões com facilidade. Após a inalação, chegam rapidamente à corrente sanguínea e espalham danos pelo corpo.
O dióxido de azoto segue de perto, responsável por 69 mil mortes. O ozono e as partículas intermédias causam 31 mil e 29 mil vítimas. A combinação destes quatro poluentes no ar multiplica os danos na saúde pública.
Grupos de risco mudam com a idade
A contaminação do ar ataca de forma desigual. Os homens jovens apresentam uma fragilidade superior face às mulheres da mesma idade.
Esta diferença decorre do estilo de vida e do trabalho. A maior exposição ao trânsito, o trabalho ao ar livre e o tabagismo aceleram doenças crónicas nos homens.
A realidade muda após os 85 anos. As mulheres idosas sofrem o impacto mais severo, apresentando taxas elevadas de falhas cardiovasculares devido às partículas em suspensão.
Um raio-x inédito na ciência
A equipa avaliou quase 89 milhões de óbitos entre 2003 e 2019 em 653 regiões da Europa. O método cruzou dados de satélites com registos meteorológicos locais.
Os estudos anteriores focavam-se em cidades isoladas ou num único poluente. Esta investigação quebra a norma ao analisar a ameaça conjunta dos quatro maiores inimigos do ar limpo.
Joan Ballester, coordenador do estudo, apela à ação das autoridades. O investigador exige a criação de alertas preventivos calibrados por idade e sexo para proteger os cidadãos mais frágeis.





























