Moçambique ganha prioridade militar da União Europeia com bloqueio de fundos ao Ruanda
A União Europeia decidiu alterar o rumo estratégico em Cabo Delgado. O bloco europeu foca agora os seus esforços na capacitação direta das Forças Armadas de Moçambique para combater a insurgência. Com...

A União Europeia decidiu alterar o rumo estratégico em Cabo Delgado. O bloco europeu foca agora os seus esforços na capacitação direta das Forças Armadas de Moçambique para combater a insurgência. Com esta mudança, fica suspensa a atribuição de novos fundos à missão militar do Ruanda no país africano.
Nova aposta nas forças locais
Bruxelas considera urgente dotar o exército moçambicano das ferramentas e da autonomia necessárias para garantir a segurança da região norte. Antonino Maggiore, embaixador da União Europeia em Moçambique, confirmou a redefinição de prioridades.
O diplomata explicou que o objetivo atual passa por reforçar as capacidades operacionais das tropas nacionais. A missão europeia de treino militar opera no terreno há quatro anos. Os 27 Estados-membros debatem hoje uma possível extensão deste programa.
Ruanda perde apoio financeiro
A recusa em renovar o financiamento a Kigali marca um ponto de viragem. Questionado sobre a manutenção das verbas europeias para as tropas ruandesas, o embaixador sublinhou que essa opção está fora da mesa no momento atual.
Esta posição agrava a incerteza no terreno. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, alertou recentemente para uma possível retirada militar. O governante exige garantias de financiamento sustentável para justificar a permanência das forças ruandesas.
A União Europeia libertou anteriormente cerca de 40 milhões de euros para o contingente ruandês através do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz. Este montante suportou custos logísticos, de transporte e de equipamento das tropas.
O impacto nos projetos de gás
Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada violenta desde outubro de 2017. Os ataques terroristas, liderados por grupos associados ao Estado Islâmico, provocaram cerca de 6.500 mortos e originaram milhares de deslocados internos.
As tropas do Ruanda assumem um papel vital na proteção do megaprojeto de exploração de gás natural da TotalEnergies. A petrolífera francesa retomou a construção da infraestrutura em janeiro, após quase cinco anos de paralisação. A empresa já alertou que a estabilidade das operações depende diretamente dos acordos de segurança em vigor com a força ruandesa.




























