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PORTUGAL

Costa da Caparica conta com a bravura da única mulher na pesca de mar aberto

Tânia Graça é a única mulher em atividade na pesca de mar aberto na Costa da Caparica. O caminho até às redes não foi óbvio nem fácil. A decisão surgiu apenas quando o filho completou 10 anos. Nessa a...

Costa da Caparica conta com a bravura da única mulher na pesca de mar aberto
Panoramas — Imagem Ilustrativa

Tânia Graça é a única mulher em atividade na pesca de mar aberto na Costa da Caparica. O caminho até às redes não foi óbvio nem fácil. A decisão surgiu apenas quando o filho completou 10 anos. Nessa altura, abandonou o trabalho seguro num colégio e enfrentou a oposição inicial do marido.

António Graça, conhecido por Toni, vive no mar desde os seis anos. Hoje, reconhece a coragem da mulher. A dureza do oceano assusta, e as mãos de Tânia exibem as marcas da profissão, mas a liberdade supera qualquer medo de inverno.

Rotina dura nas águas do Tejo e do Atlântico

A jornada do casal começa cedo, entre as 04:00 e as 06:00. Lançam as redes numa área vasta, que se estende da Costa da Caparica e do Bugio até Cascais.

A falta de um porto de abrigo na Caparica obriga a uma logística diária exigente. Após perderem uma embarcação na Cova do Vapor devido às más condições, optaram por ancorar o barco na Docapesca, em Lisboa.

Todas as madrugadas, o casal atravessa a Ponte 25 de Abril para iniciar a faina. A captura varia com a época do ano, focando-se em robalos, linguados, chocos, douradas, sargos e corvinas.

Crise no setor afasta os mais jovens

A paixão une Tânia e Toni no mar há nove anos. Tânia apenas lamenta não ter começado mais cedo na profissão. O seu entusiasmo contrasta com a realidade local, marcada pelo envelhecimento da classe.

Toni alerta que não entra sangue novo para a pesca na região há uma década. O cenário agravou-se exponencialmente este ano, com os temporais de janeiro e fevereiro a deixarem os pescadores em terra durante dois meses.

O pescador desabafa que saiu ao mar apenas três dias no início do ano. Sem hesitar, classifica este como o pior período em 47 anos de profissão.

Alterações climáticas ameaçam a faina

A paragem forçada revelou consequências graves no regresso ao trabalho. O casal encontrou águas mais doces e uma redução drástica na quantidade de peixe. O calendário natural da vida marinha sofreu alterações visíveis.

O aquecimento das águas afasta as espécies habituais e atrasa a fase de desova. Toni explica que peixes como o robalo e a corvina chegam agora em fevereiro, acumulando meses de atraso.

As intervenções costeiras também prejudicam o dia a dia. A reposição artificial de areia nas praias de Almada deixa o fundo marinho inadequado, o que dificulta a pesca do linguado.

A força das marés continua a arrastar os areais e a danificar os pequenos esporões. Para proteger a costa e garantir a viabilidade da pesca, o casal defende o prolongamento urgente destas estruturas de contenção.

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