Riqueza natural de África esbarra na falta de poder negocial perante as nações ricas
A enorme riqueza natural do continente africano contrasta com a profunda falta de influência nas mesas de decisão internacionais. O Presidente do Ruanda sublinhou esta disparidade durante a abertura d...

A enorme riqueza natural do continente africano contrasta com a profunda falta de influência nas mesas de decisão internacionais. O Presidente do Ruanda sublinhou esta disparidade durante a abertura do Fórum Africa CEO, a decorrer na cidade de Kigali.
Paul Kagame denunciou o comportamento predatório dos países mais desenvolvidos. Na visão do chefe de Estado, as potências globais exploram as matérias-primas locais sem tratar as nações africanas como parceiros de igual para igual.
O peso de uma mentalidade colonial
As nações ricas continuam a operar com uma visão colonialista. Kagame acusou o Ocidente de usar a retórica da democracia e dos direitos humanos como fachada para extrair as riquezas do continente.
O líder ruandês recorreu a uma imagem dura para descrever a atual dinâmica internacional. Segundo Kagame, as potências dominantes seguram um chicote e castigam quem ousa contrariar os seus interesses, num cenário exposto a toda a comunidade internacional.
A coragem para rejeitar acordos desiguais
Dizer não a contratos prejudiciais exige firmeza, mas protege o futuro dos países afetados. Kagame elogiou publicamente o Gana, a Zâmbia e o Zimbabué por terem rejeitado acordos bilaterais com os Estados Unidos. Estes tratados envolviam o acesso a dados de saúde pública e o controlo de recursos naturais.
As críticas do Presidente do Ruanda surgem poucas semanas após os Estados Unidos aplicarem sanções às forças armadas ruandesas. Em causa está o alegado envolvimento do país no conflito da República Democrática do Congo.
Kagame desvalorizou as sanções e garantiu que os países ocidentais punem ou protegem governos consoante o volume de matérias-primas que conseguem extrair. O governante deu como exemplo o aumento exponencial das exportações de cobre congolês para solo norte-americano.
Escala e união como resposta às crises
O continente africano acaba sempre por pagar a fatura das tensões externas. Amir Ben Yahmed, fundador do fórum, alertou a plateia de 2800 pessoas para os impactos colaterais das alterações climáticas, da pandemia e de guerras como as da Ucrânia e do Irão. O painel de ouvintes contava com os líderes da Nigéria, Gabão, Guiné, Mauritânia e Moçambique.
A resposta a esta vulnerabilidade exige a construção de alianças sólidas. Makhtar Diop, diretor executivo da Corporação Financeira Internacional (IFC), defendeu a urgência de atrair capital privado de forma justa.
A instituição financeira já mobilizou quase 20 mil milhões de euros para a região através de fundos próprios e de investidores externos. O objetivo atual passa por obrigar o mundo a investir em conjunto com África, abandonando o antigo modelo de pura extração.



























