Governo angolano assume vulnerabilidades crónicas na proteção infantil
Quase metade da população angolana tem menos de 14 anos. Perante esta realidade demográfica, o Governo reconhece falhas profundas na proteção, educação e nutrição das crianças. A admissão partiu de An...

Quase metade da população angolana tem menos de 14 anos. Perante esta realidade demográfica, o Governo reconhece falhas profundas na proteção, educação e nutrição das crianças. A admissão partiu de Ana Paula do Sacramento Neto, ministra de Estado e da Ação Social, durante a apresentação de um novo relatório oficial em Luanda.
O documento "Perfil da Criança em Angola" resulta de um trabalho do Instituto Nacional de Estatística (INE) com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Os dados revelam um cenário de contrastes.
Avanços na saúde e mortalidade infantil
O país regista progressos claros quando comparado com o inquérito de 2015-2016. A saúde materno-infantil melhorou e a mortalidade em crianças com menos de cinco anos diminuiu.
A ministra destaca o alargamento das campanhas de vacinação como fator decisivo para estes resultados. O aleitamento materno também apresenta números positivos, superando a fasquia dos 50%.
Apesar das boas notícias, as estatísticas alertam para um problema estrutural. O Executivo mostra preocupação com a pobreza e a vulnerabilidade social que afetam os mais novos. Estes fatores limitam o desenvolvimento integral e condicionam os direitos básicos das crianças angolanas.
Estratégias locais para uma população jovem
Angola tem 36,6 milhões de habitantes. As crianças e adolescentes dominam a pirâmide etária, representando cerca de 57% da população em províncias como o Bié, Uíge e Moxico.
Para enfrentar estes desafios crescentes, o Governo aposta na descentralização da ação social. O projeto "Município Amigo da Criança" surge como a principal estratégia para aplicar políticas de infância à escala local.
O Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027 vai agora integrar os indicadores deste novo relatório. O objetivo passa por humanizar os serviços públicos e promover uma mudança social efetiva a favor das crianças.





























