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Gana assegura devolução de dois mil tesouros culturais saqueados durante o colonialismo

Uma cimeira internacional em Acra sobre o comércio transatlântico de escravos resultou num compromisso histórico de restituição patrimonial. A Alemanha e os Países Baixos vão entregar ao Gana cerca de...

Gana assegura devolução de dois mil tesouros culturais saqueados durante o colonialismo
Panoramas — Imagem Ilustrativa

Uma cimeira internacional em Acra sobre o comércio transatlântico de escravos resultou num compromisso histórico de restituição patrimonial. A Alemanha e os Países Baixos vão entregar ao Gana cerca de dois mil tesouros culturais roubados durante a ocupação colonial.

Os embaixadores dos dois países europeus formalizaram a decisão com a entrega de um catálogo detalhado das peças ao Presidente ganês, num primeiro passo para o regresso definitivo das obras a solo africano.

Um pedido de desculpas europeu

A Dinamarca juntou-se a este movimento de reparação histórica. O chefe da diplomacia dinamarquesa, Lars Lokke Rasmussen, assumiu a responsabilidade e pediu desculpa pelo papel do seu país na escravatura.

O governante garantiu ainda apoio financeiro para preservar os castelos construídos pelos dinamarqueses na costa do Gana. A iniciativa procura manter a memória viva, promover a verdade e evitar a repetição dos crimes coloniais.

Exigência de reparações formais

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana, Samuel Okudzeto Ablakwa, elogiou a postura cooperativa dos parceiros europeus. Esta mudança de paradigma ganha força após a Organização das Nações Unidas (ONU) adotar uma resolução que classifica o tráfico negreiro como o maior crime contra a humanidade.

O encontro de alto nível juntou os presidentes da Libéria, Namíbia e Senegal, além da primeira-ministra de Barbados e representantes da União Africana. Os líderes adotaram uma posição conjunta para exigir pedidos de desculpas formais e reparações aos antigos países traficantes.

O flagelo invisível atual

Apesar do fim oficial do tráfico transatlântico no século XIX, a exploração humana continua a fazer vítimas. A escravatura assume hoje contornos diferentes através do trabalho e casamento forçados, do tráfico humano e da exploração infantil em vários pontos do mundo.

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