Europa e Portugal enfrentam apropriação da fé cristã para atacar imigrantes
Vários líderes políticos estão a instrumentalizar os valores cristãos para justificar políticas anti-imigração. O alerta parte do presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, Vera Jardim, que denunc...

Vários líderes políticos estão a instrumentalizar os valores cristãos para justificar políticas anti-imigração. O alerta parte do presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, Vera Jardim, que denuncia a captura da fé para hostilizar minorias estrangeiras.
O alvo indireto da contenção
Os governos europeus aplicam medidas rigorosas para travar a entrada de cidadãos estrangeiros. Embora estas políticas não ataquem diretamente uma crença específica, acabam por atingir de forma desproporcional os imigrantes que professam o Islão.
Nacionalismo disfarçado de religião
O clima social sofreu uma alteração profunda no espaço europeu e no território português. Diversos dirigentes políticos invocam a matriz cristã como o pilar exclusivo e inegociável das suas sociedades ideais.
Esta estratégia converte o cristianismo numa ferramenta de exclusão e de coesão nacional forçada. A classe política captura a narrativa religiosa por motivos puramente ideológicos, deturpando os princípios basilares da própria fé.
Distanciamento da hierarquia católica
A Igreja Católica rejeita em absoluto esta retórica intolerante. O aproveitamento da crença como arma de arremesso carece de qualquer legitimidade eclesiástica.
Os líderes católicos em Portugal e em Espanha condenam o uso político da religião para atacar estrangeiros. A mensagem oficial da Igreja, alicerçada nos discursos dos últimos Papas, exige tolerância e respeito incondicional pelo próximo.
Este debate ganha um novo fôlego com as celebrações na Presidência da República. Uma cerimónia oficial assinala na segunda-feira o diploma da Liberdade Religiosa, concebido por Vera Jardim, reafirmando a urgência de proteger o pluralismo nas sociedades atuais.



























