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POLITICA

Exames nacionais pagos a um euro por resposta provocam indignação entre professores

O pagamento de um euro por cada resposta avaliada nos exames nacionais gerou uma onda de revolta na classe docente. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) divulgou a nova tabela de remune...

Exames nacionais pagos a um euro por resposta provocam indignação entre professores
Panoramas — Imagem Ilustrativa

O pagamento de um euro por cada resposta avaliada nos exames nacionais gerou uma onda de revolta na classe docente. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) divulgou a nova tabela de remunerações na segunda-feira. As estruturas representativas consideram a medida um ataque direto e incompatível com a exigência da tarefa.

Contas refletem quatro euros por hora

A plataforma Metaprof e o movimento Missão Escola Pública (MEP) assumem a linha da frente nos protestos. A MEP calcula que a análise de um único item demora cerca de 15 minutos. Na prática, a remuneração desce para quatro euros por cada hora de trabalho. A este valor bruto ainda são aplicados os descontos legais.

A estrutura sublinha que é difícil encontrar outro trabalho qualificado na Administração Pública com valores tão baixos. A Metaprof partilha da mesma indignação e recusa que os professores trabalhem "à peça", numa lógica de produção fabril sem critério.

Nova tabela agrava tensões no setor

O Governo definiu também o pagamento de 12 euros por cada prova reapreciada. Os exames mantidos em suporte físico, como Geometria Descritiva e Desenho A, rendem 10 euros ao classificador. As avaliações decorrentes de reclamações oficiais garantem 18 euros ao docente.

O ministro Fernando Alexandre justificou os montantes com a necessidade de valorizar o papel dos avaliadores externos. A adoção do formato digital alterou profundamente os procedimentos das escolas. Contudo, os professores garantem que a tutela falhou em absoluto no reconhecimento financeiro.

Caos digital exigiu esforço extraordinário

As falhas na plataforma informática marcaram a estreia da avaliação digital de quase 300 mil provas do ensino secundário. Os sucessivos problemas técnicos obrigaram mesmo o ministério a adiar a afixação das pautas aos alunos.

Os professores sacrificaram noites e fins de semana para ultrapassar os obstáculos informáticos do sistema. A MEP lamenta que os docentes sejam vistos como indispensáveis durante a crise, mas avaliados a quatro euros à hora no momento de acertar contas. A Metaprof acusa o Estado de ignorar a lei do trabalho suplementar e promete publicar em breve um estudo detalhado sobre o impacto das horas não pagas.

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