A Irlanda avança com a identificação de quase cem bebés encontrados numa vala comum
As famílias de dezenas de crianças mortas num antigo lar católico na Irlanda aguardam respostas. Uma equipa de peritos iniciou a análise aos restos mortais de quase cem bebés, retirados de uma vala co...

As famílias de dezenas de crianças mortas num antigo lar católico na Irlanda aguardam respostas. Uma equipa de peritos iniciou a análise aos restos mortais de quase cem bebés, retirados de uma vala comum em Tuam, no condado de Galway.
A operação procura devolver a identidade às vítimas e perceber as causas exatas das mortes. Os investigadores já recolheram amostras de ADN de 62 familiares diretos e mantêm contacto com cerca de duzentas pessoas para cruzar os dados genéticos.
O trabalho no laboratório forense
Daniel MacSweeney comanda as escavações no terreno. O responsável confirmou o resgate de 99 conjuntos de restos mortais, atualmente examinados num laboratório instalado no antigo Lar de Santa Maria.
Quatro peritos integram a equipa principal. A arqueóloga forense Niamh McCullagh destacou o estudo do esmalte dentário para apurar o sexo dos bebés, uma técnica necessária devido à fragilidade e dimensão dos esqueletos infantis.
O passado trágico de milhares de mulheres
As Irmãs do Bom Socorro geriram o lar entre 1925 e 1961. O Estado e a Igreja Católica obrigavam ao internamento de mulheres grávidas solteiras, forçando a separação das mães e dos filhos à nascença.
A historiadora local Catherine Corless desencadeou a investigação que expôs o caso. Os seus dados provaram a morte de 796 crianças na instituição, muitas sepultadas de forma anónima numa fossa sética desativada.
A pressão pública levou o governo a criar uma comissão nacional. Os relatórios oficiais confirmaram a morte de nove mil crianças em vários lares espalhados pelo país. As atuais análises em Tuam incidem numa zona delimitada onde decorreram os achados iniciais.



























