Editora Clean Feed encerra lançamentos discográficos com álbum póstumo de Sei Miguel
A icónica editora portuguesa Clean Feed decidiu suspender o lançamento de novos discos. Após um quarto de século a editar jazz e música improvisada, a marca encerra agora um capítulo histórico.

A icónica editora portuguesa Clean Feed decidiu suspender o lançamento de novos discos. Após um quarto de século a editar jazz e música improvisada, a marca encerra agora um capítulo histórico.
O fim de um ciclo de 25 anos
Pedro Costa, fundador do projeto, confirmou o término definitivo das edições discográficas. A empresa, que gere os selos Clean Feed, Trem Azul e Shhpuma, construiu um acervo com mais de 800 álbuns originais.
A estrutura continuará a operar para vender o catálogo antigo e organizar festivais, mas a fase de apresentação de novidades chegou ao fim.
A derradeira homenagem a Sei Miguel
A despedida faz-se com o lançamento de "Viva! O Carro de Fogo de Sei Miguel". Este duplo CD capta as duas últimas atuações ao vivo da banda do compositor e trompetista, que faleceu em novembro do ano passado.
O líder da Clean Feed descreve Sei Miguel como um criador singular e intransigente. A ligação profissional e de amizade durou mais de três décadas, o que resultou em 16 anos de colaboração contínua.
Pedro Costa sublinha que terminar este percurso com uma obra do trompetista representa o fecho ideal para a editora. O disco conta com as participações de Fala Mariam no trombone e Nuno Torres no saxofone.
A secção rítmica e harmónica junta Pedro Lourenço no baixo elétrico, Bruno Silva na guitarra elétrica, André Gonçalves nos órgãos, Raphael Soares na percussão e Luís Desirat na bateria.
Um legado global no jazz contemporâneo
A história da editora arrancou em 2001 com a gravação ao vivo "The Implicate Order At Seixal". Desde esse momento, a crítica internacional posicionou a chancela portuguesa entre as melhores do mundo no seu género.
A marca fidelizou público em diversas latitudes, com forte expressão nos Estados Unidos da América. O seu percurso incluiu uma loja física em Lisboa e uma adaptação fluida à distribuição digital e ao formato de streaming.
Ao fazer o balanço destas décadas, Pedro Costa destaca a imensa diversidade do cenário musical moderno. O editor elogia a forte preparação técnica das novas gerações, que procuram cruzar instrumentos acústicos e eletrónicos em formas inéditas de criação sonora.




























