Presidente da Sociedade de Medicina Interna deixa urgência do Amadora-Sintra
Luís Duarte Costa abandonou a direção do Serviço de Urgência Geral da Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra no final de fevereiro. O médico, que também preside à Sociedade Portuguesa de Medicina Inter...

Saída motivada por problema estrutural de 30 anos
Luís Duarte Costa abandonou a direção do Serviço de Urgência Geral da Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra no final de fevereiro. O médico, que também preside à Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, confirma a decisão após 10 meses de tentativas falhadas para resolver o congestionamento crónico do serviço.
A promessa que levou Duarte Costa a aceitar o cargo em maio de 2025 nunca se concretizou: retirar os doentes internados da urgência para libertar as equipas médicas.
75 doentes bloqueiam atendimento diário
O Hospital Fernando da Fonseca enfrenta um ciclo vicioso. Cerca de 75 doentes permanecem internados na urgência porque não há vagas nas enfermarias. Os médicos, em vez de atenderem novos casos, ficam presos ao tratamento destes internamentos prolongados.
Um quarto destes doentes são casos sociais: utentes com alta clínica mas sem condições para deixar o hospital. A dimensão da unidade não acompanha a população que serve.
Soluções bloqueadas
Duarte Costa propôs criar respostas específicas para casos sociais, incluindo um eventual hospital social, e aproveitar as 60 camas do Hospital de Sintra. Nenhuma das medidas avançou.
Após a saída do diretor, a ULS nomeou a 9 de março uma Comissão de Gestão com oito médicos para gerir o serviço.
Problema não é falta de médicos
O especialista afasta a narrativa da escassez de profissionais. A urgência do Amadora-Sintra tem médicos suficientes. O que falta são camas e capacidade de drenar doentes para outros serviços.
"A maior parte dos médicos, sobretudo os mais diferenciados, ficam presos aos doentes que estão lá internados. Isto acontece há 30 anos", explica.
A pressão constante afasta profissionais e dificulta contratações. Muitos desistem ao perceberem a ausência de soluções estruturais.
Realidade transversal aos hospitais portugueses
O cenário repete-se na maioria dos hospitais com falta de drenagem de doentes e resposta insuficiente dos cuidados primários. Duarte Costa defende que muitos utentes que procuram as urgências poderiam ser atendidos em três ou quatro dias nos centros de saúde.
"A solução não é pôr mais médicos na urgência. É tirar de lá os doentes", resume.
Apelo à medicina interna
O presidente da Sociedade de Medicina Interna advoga um papel reforçado da especialidade face ao envelhecimento populacional e ao aumento de doentes com múltiplas patologias.
"Cada vez mais os doentes são idosos e com múltiplas patologias. Não se enquadram numa única especialidade", sublinha, defendendo uma gestão hospitalar centrada em equipas multidisciplinares.




















