Benguela prepara estudo técnico após cheias devastadoras no rio Cavaco
As cheias que atingiram Benguela provocaram pelo menos oito vítimas mortais e obrigaram ao resgate de mais de 1600 pessoas em situações de perigo. Manuel Nunes Júnior, governador da província angolana...

Oito mortos e mais de 1600 pessoas resgatadas
As cheias que atingiram Benguela provocaram pelo menos oito vítimas mortais e obrigaram ao resgate de mais de 1600 pessoas em situações de perigo. Manuel Nunes Júnior, governador da província angolana, classificou o acontecimento como uma "calamidade de grandes dimensões".
Os números continuam em atualização. Milhares de famílias perderam as casas ou ficaram com habitações inundadas e impróprias para habitar após o transbordo do rio Cavaco, que ocorreu no domingo devido à rutura de um dique.
Outras zonas do rio apresentam risco elevado
O responsável admitiu que o problema vai além do ponto onde o dique cedeu. "Há outras áreas no percurso do rio que também são vulneráveis a romper", afirmou o governador durante uma visita ao centro de acolhimento do Antigo Campismo.
Para evitar novos desastres, o executivo provincial prepara "um estudo rigoroso" que defina uma intervenção completa ao longo do rio. O objetivo passa por construir "uma obra sólida" que elimine o risco de futuras inundações no Cavaco.
Reparação emergencial avança em seis dias
As equipas trabalham na reparação de um troço de cerca de 300 metros do dique que cedeu. Segundo especialistas no terreno, a intervenção poderá estar concluída em "mais seis ou sete dias", embora o governador tenha frisado que se trata apenas de "uma solução de emergência".
A resposta definitiva exigirá um trabalho técnico aprofundado e obras estruturantes.
Centros de acolhimento ganham estrutura médica
O centro do Antigo Campismo, criado no domingo como primeira resposta às vítimas, já dispõe de um posto médico e de uma unidade preparada para casos de cólera. A concentração de desalojados aumenta os riscos sanitários, o que preocupa as autoridades.
O espaço conta ainda com latrinas estruturadas "com algum nível de privacidade" e uma cozinha comunitária gerida pelos próprios sinistrados, onde se preparam três refeições diárias.
Mobilização institucional e apoio da sociedade civil
Perante críticas de moradores sobre a falta de ajuda, Manuel Nunes Júnior destacou o apoio da sociedade civil. "Nós estamos a receber apoios em termos de logística, em termos de alimentação, que têm estado a ajudar muito", referiu.
A Comissão Nacional de Proteção Civil, a estrutura provincial e vários ministérios — incluindo Finanças e Ação Social — foram mobilizados. Em contexto de calamidade, os procedimentos de contratação pública seguem regras especiais que permitem "celeridade, rapidez" e "quase imediatismo" na aquisição de bens essenciais.
Presidente da República visita Benguela na quarta-feira
João Lourenço desloca-se à província na quarta-feira para acompanhar a situação no terreno. O Chefe de Estado vai realizar visitas detalhadas às zonas habitacionais mais afetadas e trabalhar praticamente todo o dia em Benguela.
O governador valoriza a presença presidencial: "Sempre que vem um Presidente da República a uma província, particularmente numa situação de calamidade, para nós é sempre um ativo muito importante".




















