Sudão: Maior crise humanitária do mundo atinge 34 milhões de pessoas
O Sudão enfrenta a maior crise humanitária do planeta. Denise Brown, Coordenadora Humanitária das Nações Unidas no país, confirmou que 34 milhões de pessoas precisam de assistência urgente. O alerta s...

Três anos de conflito geram crise sem precedentes
O Sudão enfrenta a maior crise humanitária do planeta. Denise Brown, Coordenadora Humanitária das Nações Unidas no país, confirmou que 34 milhões de pessoas precisam de assistência urgente. O alerta surge quando se assinalam três anos desde o início da guerra civil.
O conflito arrancou a 15 de abril de 2023. As Forças Armadas sudanesas e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF) mantêm-se em combate por divergências sobre a integração do grupo paramilitar no Exército regular. Dois terços da população tornaram-se dependentes de ajuda humanitária.
Infraestruturas civis destruídas e ataques diários
O Gabinete da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) divulgou um comunicado onde Brown denuncia a destruição sistemática de casas, mercados, hospitais e escolas. Os ataques com drones em zonas povoadas tornaram-se rotina.
A situação nos centros de saúde é crítica. A Organização Mundial de Saúde (OMS) regista 217 ataques confirmados a instalações de saúde desde o início da guerra. Apenas 63% das unidades de saúde funcionam total ou parcialmente. Doentes e profissionais de saúde são mortos e o acesso a serviços vitais está cortado.
Números do drama humanitário
O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) contabiliza 11.000 pessoas desaparecidas. Cerca de 4,5 milhões de refugiados fugiram para países vizinhos como Egito, Sudão do Sul, Líbia e Chade. Nove milhões de deslocados permanecem dentro do território sudanês.
A Armed Conflict Location & Event Data (ACLED) aponta para 59.000 mortos desde o início do conflito. Em 2025, os ataques aéreos e com drones já provocaram 1.032 vítimas civis.
Violência sexual e fome aguda
As mulheres e raparigas são alvo de violência sexual generalizada, incluindo violações individuais e em grupo. O Programa Alimentar Mundial estima que mais de 19 milhões de pessoas enfrentam fome aguda.
Os trabalhadores humanitários, maioritariamente sudaneses, arriscam diariamente as suas vidas. Muitos pagam com a vida o esforço para ajudar outros a sobreviver.
Crianças: as vítimas esquecidas
A Unicef revela que mais de 4.300 crianças foram mortas ou mutiladas. Pelo menos oito milhões continuam sem acesso à educação. Ambas as facções recrutam menores, um fenómeno que pode comprometer o futuro do país pelos traumas causados.
Apelo internacional e tensão diplomática
A ONU exige a cessação imediata das hostilidades, proteção de civis e infraestruturas não militares, garantias para atividades humanitárias e aumento do financiamento. Brown sublinha que qualquer atraso custa vidas.
O Governo sudanês criticou a conferência internacional realizada em Berlim, classificando-a como "tutela colonial". O executivo de Cartum considera inaceitável que o evento para mobilizar ajuda e procurar soluções políticas decorra "sem consultar ou convidar" as autoridades do país.
O conflito interrompeu a transição democrática iniciada após a queda de Omar al-Bashir em 2019, já fragilizada pelo golpe que depôs o primeiro-ministro Abdalla Hamdok.




















