Santo António pode vir a realizar cirurgias cardíacas avançadas
A Unidade Local de Saúde de Santo António (ULSSA), no Porto, está em condições de se tornar centro de referência afiliado para a colocação de válvulas aórticas percutâneas (TAVI). A secretária de Esta...

Porto reforça capacidade em cardiologia de intervenção
A Unidade Local de Saúde de Santo António (ULSSA), no Porto, está em condições de se tornar centro de referência afiliado para a colocação de válvulas aórticas percutâneas (TAVI). A secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, confirmou a viabilidade do projeto durante uma audição na Assembleia da República.
A governante explicou que a unidade hospitalar necessita apenas de reforçar a equipa cirúrgica. "Já tem um cirurgião cardíaco, bastava vir outro e mais a restante equipa", afirmou Ana Povo. A norma da Direção-Geral de Saúde exige a presença de uma equipa cirúrgica disponível no local para este tipo de intervenções.
Polémica arrasta-se desde fevereiro
A questão ganhou destaque em fevereiro, quando diretores de serviço de cardiologia de quatro hospitais do Norte enviaram uma carta à ministra da Saúde. O documento alertava para as listas de espera de doentes que necessitam de cirurgia cardíaca ou implantação de válvulas aórticas.
André Luz, diretor de cardiologia do Santo António, revelou que 10 doentes morreram nos últimos três anos devido a tempos de espera excessivos. A declaração intensificou o debate sobre a necessidade de mais capacidade cirúrgica na região.
Cirurgião impedido de operar há anos
A secretária de Estado revelou que a ULSSA tem um cirurgião cardíaco contratado desde 2016 que está impedido de operar. O profissional foi contratado para a abertura de um serviço de cirurgia cardíaca, autorizado pela tutela em 2015.
"Esse cirurgião existe num hospital público, pago com dinheiro dos contribuintes, está não só impedido de operar porque é o único, mas também impedido de dar apoio à colocação das TAVI", criticou Ana Povo.
Portugal atrás da Europa em TAVI
Ana Povo sublinhou que Portugal "está na cauda da Europa" na colocação de válvulas aórticas percutâneas e que "ninguém pode dormir descansado com esta situação".
Atualmente, os doentes do Norte são referenciados para três centros: ULS São João (Porto), ULS de Vila Nova de Gaia/Espinho e ULS Braga. Este último abriu há dois meses e opera a 20% da capacidade, com previsão de atingir o pleno funcionamento até ao final do ano.
Conflito de interesses contestado
Questionada pela deputada do Chega Cláudia Estêvão sobre um eventual conflito de interesses — Ana Povo exerceu funções na ULSSA — a governante rejeitou a acusação. Referiu que o despacho conjunto que assinou "não é um despacho decisório" e defendeu que, pela lógica apresentada, qualquer profissional do SNS estaria impedido de assumir cargos governativos.
A Ordem dos Médicos e diretores de serviços de Gaia e do São João manifestaram preocupação com um possível esvaziamento de recursos humanos caso surja um novo centro de referência no Norte.



























