Mais de 6 mil indígenas mobilizam-se em Brasília por demarcação de terras
A capital brasileira recebe esta semana o Acampamento Terra Livre (ATL), que reúne mais de 6 mil indígenas de todo o Brasil. A 22.ª edição do evento decorre até sábado e coloca a demarcação de territó...

Maior mobilização indígena do Brasil decorre até sábado
A capital brasileira recebe esta semana o Acampamento Terra Livre (ATL), que reúne mais de 6 mil indígenas de todo o Brasil. A 22.ª edição do evento decorre até sábado e coloca a demarcação de territórios no centro do debate político.
Organizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a iniciativa tem como lema "Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós". O mote reflete as preocupações dos povos originários face às eleições marcadas para outubro.
Críticas duras ao Congresso Nacional
Oito grandes entidades indígenas divulgaram uma carta aberta que não poupa críticas ao poder legislativo brasileiro. O documento classifica o Congresso como "inimigo do povo" e acusa a instituição de funcionar como "uma máquina de retrocessos".
"Repudiamos que o Congresso Nacional funcione como uma máquina de retrocessos, atuando como inimigo dos povos, produzindo ataques cotidianos às nossas vidas e submetendo nossos direitos a um balcão de negócios", pode ler-se no texto.
Kleber Karipuna, coordenador-executivo da Apib para a Amazónia, destacou a insistência do Congresso na tese do marco temporal. Esta tese jurídica limita os direitos territoriais indígenas apenas às terras ocupadas em outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal.
"Isso é uma afronta aos nossos direitos, ao próprio Judiciário que julgou que a tese é inconstitucional", afirmou Kleber Karipuna.
Duas marchas programadas para esta semana
A Apib organiza duas grandes manifestações pela Esplanada dos Ministérios. A primeira, marcada para terça-feira, dirige-se ao Congresso Nacional. A segunda caminhada acontece quinta-feira e tem como destino os edifícios do Executivo e do Judiciário.
Os organizadores planeiam entregar uma carta com as conclusões do ATL 2026 durante a segunda marcha. Esperam também receber a visita de ministros do governo de Lula da Silva e do próprio Presidente brasileiro, à semelhança de edições anteriores.
110 terras aguardam demarcação
O Governo Federal comprometeu-se a apresentar um "caderno de respostas" sobre 32 reivindicações acumuladas pela Apib nos últimos anos. As exigências incluem políticas públicas efetivas, reforço da segurança para expulsar madeireiros e garimpeiros, e o anúncio de novos territórios indígenas.
Kleber Karipuna reconhece avanços na política de demarcação nos últimos três anos, mas considera-os insuficientes. A Apib entregou ao executivo um levantamento com 110 terras aptas a serem homologadas ou demarcadas.
Segundo o coordenador, "imbróglios políticos" envolvendo governos estaduais e pressões do agronegócio e de grandes empresas impedem a efetivação destes processos.
"O movimento indígena vai estar sempre avaliando, criticando se necessário, apoiando, porque entendemos que há avanços, mas vamos continuar fazendo as cobranças", explicou Kleber Karipuna, citando declarações anteriores do Presidente Lula que incentivam a pressão popular.
Estratégia eleitoral para 2026
A Apib prepara uma nova abordagem para as eleições de outubro. Ao contrário de 2022, a entidade pretende concentrar apoios em candidaturas indígenas com reais hipóteses de vitória aos legislativos estaduais e federal.
"Queremos focar em candidaturas que são possíveis de serem vitoriosas", resumiu Kleber Karipuna, sinalizando uma estratégia menos dispersa que a adoptada no último ciclo eleitoral.




















