Livre acusa André Ventura de usar expressão associada à propaganda nazi no parlamento
O presidente do Chega está no centro de uma forte polémica após o discurso proferido na sessão solene do 25 de Abril. Rui Tavares, porta-voz do Livre, acusa André Ventura de ter recorrido a uma expres...

Polémica nas comemorações do 25 de Abril
O presidente do Chega está no centro de uma forte polémica após o discurso proferido na sessão solene do 25 de Abril. Rui Tavares, porta-voz do Livre, acusa André Ventura de ter recorrido a uma expressão historicamente ligada à propaganda nazi durante a sua intervenção no parlamento.
A controvérsia gira em torno da frase "apunhalado pelas costas", repetida três vezes por Ventura ao criticar quem "exalta guerrilheiros que estavam a matar militares portugueses" durante a Guerra Colonial.
A ligação histórica ao nazismo
A expressão remete para a "Dolchstoßlegende" (Lenda da Punhalada pelas Costas), um mito político propagado na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. Esta narrativa defendia que o exército alemão não fora derrotado no campo de batalha, mas traído internamente por socialistas, bolcheviques e judeus alemães.
Este discurso foi instrumental na ascensão do Partido Nazi e de Adolf Hitler ao poder, ao fabricar inimigos internos e alimentar o ressentimento na sociedade alemã.
Críticas de Livre e PS
Rui Tavares manifestou preocupação com a normalização deste tipo de retórica. Durante a descida da Avenida da Liberdade, em Lisboa, o porta-voz do Livre alertou para uma "escalada no discurso político que está a ser ignorada".
"Hoje cita Hitler e os nazis, toda a gente faz de conta que não ouviu, e amanhã diz ou faz qualquer coisa ainda mais terrível", afirmou Tavares.
PS alerta para erosão da democracia
Também a deputada socialista Eva Cruzeiro reagiu à polémica, rejeitando que se trate de "uma frase qualquer". A parlamentar sublinha que a expressão "foi usada sistematicamente para alimentar ressentimento, fabricar inimigos internos e justificar a erosão da democracia da República de Weimar".
Para Eva Cruzeiro, Ventura não fez "um desabafo inocente", mas convocou "um imaginário político perigoso, assente na divisão, na desconfiança e na distorção da história".
A socialista conclui que "a democracia não se perde de um dia para o outro, desgasta-se quando se normalizam discursos que já provaram, no passado, aonde conduzem".



























