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POLITICA

330 doentes morreram à espera de cirurgia cardíaca desde 2021

A secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, revelou esta quarta-feira que quase 330 pessoas morreram enquanto aguardavam por cirurgia cardíaca entre 2021 e 2025. Os números foram apresentados durante u...

330 doentes morreram à espera de cirurgia cardíaca desde 2021
Panoramas — Imagem Ilustrativa

Mortalidade mantém-se elevada nas listas de espera

A secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, revelou esta quarta-feira que quase 330 pessoas morreram enquanto aguardavam por cirurgia cardíaca entre 2021 e 2025. Os números foram apresentados durante uma audição na Assembleia da República.

Os dados anuais mostram uma realidade persistente: 65 óbitos em 2021, outros 65 em 2022, 62 em 2023, 71 em 2024 e 65 no ano corrente. "Este Governo não vive descansado com isto a acontecer. Nós estamos aqui para salvar vidas", afirmou Ana Povo.

Audição convocada pelo Chega sobre novo centro no Norte

A governante foi ouvida a pedido do partido Chega para discutir a possível criação de um novo centro de cirurgia cardíaca na região Norte. A polémica surgiu em fevereiro, quando o Diário de Notícias noticiou uma carta assinada por diretores de serviço de cardiologia de quatro hospitais nortenhos: Santo António (Porto), Tâmega e Sousa, Matosinhos e Trás-os-Montes e Alto Douro.

A carta alertava para as longas listas de espera de doentes que necessitam de cirurgia ou de implantação de válvulas aórticas percutâneas (tavis). Especialistas confirmaram os problemas, mas alertaram para o risco de esvaziamento de recursos humanos nos centros de referência existentes caso surjam novas unidades.

Rede atual considerada "desajustada"

Ana Povo classificou a rede atual como "desajustada" e anunciou que a Entidade Reguladora da Saúde foi chamada a pronunciar-se sobre a organização dos centros de cirurgia cardíaca no setor privado. "Há seis centros cirúrgicos públicos em Portugal. Existem 11 privados", sublinhou.

A secretária de Estado garantiu que, no imediato, o problema será atacado com a majoração do crescimento em SIGIC (Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia). A longo prazo, defendeu a revisão das redes de referenciação.

Ministra já admitiu portarias especiais

Em março, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu estar a preparar revisões na legislação e portarias especiais para reduzir os tempos de espera. "Há áreas de especialidade em que os tempos vão para além daquilo que é o recomendado", reconheceu.

A governante garantiu que o executivo vai criar incentivos e facilitar a resposta aos doentes durante um período determinado, até atingir os tempos máximos recomendados. Ana Paula Martins reforçou que a segurança dos doentes e as equipas necessárias para as cirurgias nunca estarão em causa.

Despacho para rever rede de referenciação

Ana Povo confirmou que será emitido um despacho para rever a rede de referenciação de cirurgia torácica, cirurgia cardíaca e cardiologia. A revisão contemplará a criação de centros afiliados aos centros de referência existentes, tendo em conta toda a capacidade instalada no país.

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