Aldeias espanholas apostam em migrantes para combater despovoamento
A norte de Castela-La Mancha, uma das regiões europeias mais afetadas pelo êxodo rural, aldeias como Molina de Aragão enfrentam um problema crítico: os jovens partem para Madrid e Barcelona em busca d...

Formação gratuita atrai refugiados e imigrantes
A norte de Castela-La Mancha, uma das regiões europeias mais afetadas pelo êxodo rural, aldeias como Molina de Aragão enfrentam um problema crítico: os jovens partem para Madrid e Barcelona em busca de trabalho. A solução encontrada passa por atrair e formar migrantes.
Elba Iturbe gere um hotel familiar centenário na aldeia e conhece bem a realidade local. "Não há trabalho e os serviços são escassos", explica. Chegar a um médico de família exige uma hora e um quarto de viagem. O hospital fica a uma hora e meia. "Isto assusta as pessoas."
Setor da hotelaria procura mão de obra
Para manter hotéis, bares e restaurantes abertos, a região criou cursos de formação gratuitos. Durante cinco meses, os formandos aprendem todas as competências do setor: limpeza de quartos, serviço de bar e sala, e cozinha.
Ruben Urbano, chefe local, ensina os básicos da cozinha tradicional espanhola. "Têm de aprender a manusear facas, técnicas de confeção e conservação. E como vêm de países estrangeiros, também precisam do vocabulário para compreender o chefe."
Refugiados encontram nova oportunidade
Embora abertos a todos, os cursos atraem maioritariamente estrangeiros. Mulheres da Colômbia, Venezuela, El Salvador, República Dominicana e Marrocos formam a maioria do grupo atual.
Raghad Al Ali Al Suleiman, síria de 18 anos, chegou a Espanha há menos de ano e meio. "A guerra estava cada vez mais perto de casa", conta. A família fugiu para o Líbano, mas acabou por não ficar. "Já não gostam dos sírios."
Agora, a jovem aprende uma profissão numa aldeia medieval que tenta renascer através do turismo. Molina de Aragão aposta no seu património histórico – castelo, igrejas, muralhas – e no ambiente natural perfeito para caminhadas e passeios.
Centro histórico mostra sinais de abandono
O centro histórico da aldeia revela o impacto do despovoamento. Edifícios desabitados acumulam-se nas ruas sombrias. Letreiros "Se vende" ganham pó. Algumas fachadas apresentam rachas profundas. Um beco foi encerrado após a queda de um edifício.
A antiga "Calle de las tiendas" mantém apenas um punhado de lojas abertas. A maioria dos serviços mudou para bairros novos e pouco atrativos.
A aposta em migrantes e refugiados surge como estratégia para reverter décadas de declínio demográfico e económico numa das zonas mais afetadas pela chamada "Espanha vazia".

























