Restauração portuguesa enfrenta crise maior que a de 2012
A PRO.VAR - Associação Nacional de Restaurantes alertou para uma crise que já superou o impacto da subida do IVA em 2012. A pressão acumulada sobre os custos coloca milhares de estabelecimentos em ris...

Associação alerta para pressão sem precedentes no setor
A PRO.VAR - Associação Nacional de Restaurantes alertou para uma crise que já superou o impacto da subida do IVA em 2012. A pressão acumulada sobre os custos coloca milhares de estabelecimentos em risco iminente de encerramento.
A entidade exige que o Governo tome medidas concretas para travar o colapso da restauração tradicional portuguesa. Segundo a associação, 98% do setor é composto por micro e pequenas empresas sem capacidade financeira para absorver os choques de custos registados desde a pandemia.
Segmento intermédio à beira da extinção
O modelo de negócio que sempre caracterizou a restauração portuguesa está a desaparecer. A subida continuada de custos com matérias-primas, mão de obra e energia torna praticamente impossível manter uma oferta equilibrada de preço médio.
Os restaurantes ficam agora espremidos entre dois extremos: propostas de baixo custo, muitas delas com recurso a economias de escala e concorrência internacional, e estabelecimentos de nicho com preços elevados, orientados para turismo.
Esta faixa intermédia concentrava o maior volume de negócio do setor e servia a generalidade da população portuguesa. A sua erosão compromete não apenas a viabilidade económica, mas também a função social e a identidade cultural da restauração nacional.
Carga fiscal acima da concorrência europeia
A PRO.VAR sublinha que Portugal mantém impostos sobre o setor acima da média dos principais concorrentes europeus. Esta carga fiscal elevada, combinada com a falta de regulação que permite condições desiguais de concorrência, penaliza quem cumpre as regras.
A associação rejeita análises macroeconómicas que desvalorizam as dificuldades concretas do setor. Os dados agregados escondem a realidade da maioria das empresas, altamente dependentes do mercado interno e com forte incorporação de valor nacional.
Reformas urgentes ainda por concretizar
A PRO.VAR considera imperativa a descida do IVA das refeições de 13% para 6%, medida apontada como essencial para garantir a sustentabilidade do setor. Defende ainda a implementação de um modelo forfetário de IVA para assegurar equidade entre operadores.
Os apoios anunciados pelo Governo em janeiro continuam por concretizar, numa altura em que as empresas enfrentam pressão crescente de tesouraria. A associação lamenta a ausência de uma posição clara do executivo perante o debate público.
A entidade avisa que esta pode ser a última oportunidade para evitar o enfraquecimento irreversível da restauração tradicional portuguesa, um dos pilares da economia e da cultura do país. O setor não precisa de mais diagnósticos, mas de decisões imediatas.



























